Governo estima metade das rodovias federais sob gestão privada em 2030

Fonte: CNN BRASIL

Previsão de investimentos privados entre 2023 e 2029 é de R$ 218 bilhões, 69% maior que no período de 1993 a 2022

Metade das rodovias federais pavimentadas deve estar sob gestão privada até 2030, segundo o Ministério dos Transportes. A projeção leva em conta a aceleração do Procrofe (Programa de Concessões de Rodovias Federais), que concedeu 12.198 km nos últimos quatro anos.

Para efeito de comparação, em 2014 a malha rodoviária federal nas mãos da iniciativa privada representava 7,7%. Dez anos depois, o percentual chegou a 24%.

O boom, no entanto, deve se dar nos próximos quatro anos. Atualmente a malha rodoviária da União sob gestão privada está em 31%, mas a expectativa é que chegue a 49,5% até 2030.

“No fim deste ano vamos encerrar a malha rodoviária com quase 32% da gestão com a iniciativa privada. Isso é muito relevante, essencial para termos um bom desenvolvimento”, declarou a secretária nacional de Rodovias, Viviane Esse, durante a apresentação de resultados da pasta na quinta-feira (15), em São Paulo.

A previsão de investimentos privados entre 2023 e 2029 é de R$ 218 bilhões. Entre 1993 a 2022, os investimentos privados em rodovias foram de R$ 129 bilhões, ou seja, espera-se que em sete anos o montante supere em 69% os 27 anos anteriores.

“No ano passado já tivemos mais investimento privado do que público em rodovias, mas talvez ainda não tenhamos noção do quanto esses R$ 218 bilhões significam. Isso é só do que já está contratado até 2029, não tem novos estudos nessa conta. Talvez o país ainda não tenha a noção do quanto isso vai modificar a nossa infraestrutura rodoviária”, acrescentou a secretária.

Carteira para 2027

A carteira de rodovias e ferrovias de 2027 conta com investimentos estimados em R$ 102,68 bilhões. Ao todo, estão previstos 11 leilões para o próximo ano — nove deles a partir de novos estudos e dois de otimizações contratuais. Veja abaixo o cronograma:

  1. Rota Integração do Sul: leilão em junho
  2. Rota Portuária do Sul: leilão em junho
  3. Rota Vale do Itajaí – Malha Catarinense (lote 1): leilão em julho
  4. Rota Meio Oeste – Malha Catarinense (lote 3): leilão em julho
  5. Rota do Vale do Café: leilão em setembro
  6. Rodovia Transbrasiliana: leilão em outubro
  7. Rota Portuária Itaquí: leilão em setembro
  8. Rota Catarinense – Malha Catarinense (lote 2): leilão em novembro
  9. Rota Planalto Sul: leilão em novembro
  10. Rota do Açu: leilão em dezembro
  11. Rota Centro-Sul Baiano: leilão em dezembro

Construtoras propõem dobrar investimento público em rodovias

Fonte: Jeniffer Ribeiro da CNN Brasil

Aneor estima necessidade de R$ 300 bilhões em dez anos para ampliar e recuperar a malha rodoviária federal e defende combinar recursos

A Aneor (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias) propõe dobrar o investimento público anual em rodovias federais, de R$ 15 bilhões para R$ 30 bilhões. O valor atual tem como base a média do orçamento anual do Ministério dos Transportes nos últimos quatro anos.

Durante o programa da CNN, Conexão Infra, o diretor-presidente entidade, Danniel Zveiter, apresentou um programa de ampliação e recuperação da malha rodoviária federal pública que prevê R$ 300 bilhões em investimentos ao longo de dez anos.

A proposta contempla intervenções em diferentes frentes da infraestrutura rodoviária. Entre elas, estão a duplicação de 24 mil quilômetros de estradas, a restauração de 32 mil quilômetros, a ampliação de outros 4 mil quilômetros e melhorias em 6 mil quilômetros. O valor total também inclui recursos para a manutenção rotineira da malha.

Diversificação de recursos

Segundo a Aneor, dobrar o investimento anual é uma meta factível. Zveiter afirma que o país já alcançou patamares semelhantes no passado, especialmente entre 2010 e 2012. Para ele, há espaço para identificar fontes de recursos capazes de viabilizar o aumento.

Para isso, a ideia da associação é que o financiamento da infraestrutura seja discutido de forma mais ampla, com alternativas que permitam ampliar a capacidade de investimento do poder público. “As nossas propostas não apostam a ficha em uma só solução, mas sim no conjunto delas”, disse o diretor-presidente da entidade.

Uma das propostas da associação é ampliar a parcela das emendas de bancada, que são destinadas a projetos considerados estruturantes como a infraestrutura rodoviária.

A Aneor defende que entre 10% e 30% do montante total das emendas de bancada sejam direcionadas ao aumento do orçamento para obras no setor. A medida seria uma das alternativas para reforçar os recursos disponíveis, sem concentrar a estratégia em uma única fonte de financiamento.

Outra possibilidade levantada pelo diretor-presidente é a criação de um fundo de infraestrutura, com diferentes mecanismos de captação. A associação também propõe discutir a retomada do envio de parte dos recursos da Cide-Combustíveis, tributo que incide sobre combustíveis, para financiar investimentos rodoviários.

“A gente pode buscar outras fontes, como o retorno da Cide, que ajudou a aumentar o investimento. A gente acredita que, até um determinado valor, não tenha um impacto inflacionário”, afirmou Zveiter.

Uma terceira medida defendida pela associação é retirar os investimentos em infraestrutura do teto de gastos. Segundo Danniel, uma iniciativa semelhante foi adotada no início dos anos 2000, com a retirada dos recursos destinados para investimentos no setor da metas de superávit primário, o que teria contribuído para elevar os investimentos anuais.

Essas propostas estão sendo apresentadas aos pré-candidatos à Presidência da República por meio do Pacto Brasil pela Infraestrutura, disse Zveiter. A iniciativa busca incluir o aumento dos investimentos em rodovias na agenda dos candidatos e discutir alternativas para ampliar os recursos destinados à infraestrutura federal.

ANTT cria Selo ESG para transportadores rodoviários de cargas

Fonte: Mundo Logística

Reconhecimento voluntário avaliará práticas ambientais, sociais e de governança de transportadores inscritos e ativos no RNTRC

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) instituiu o “Selo ESG Cargas”, reconhecimento voluntário destinado a transportadores rodoviários remunerados de cargas que adotem boas práticas ambientais, sociais e de governança. A medida foi aprovada pela Diretoria Colegiada na sexta-feira (14) e está prevista na Resolução ANTT nº 6.086, de 14 de agosto de 2026.

O Selo será destinado a transportadores inscritos e ativos no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e terá como objetivo reconhecer práticas relacionadas à preservação ambiental, à responsabilidade social e à gestão da atividade de transporte.

A avaliação será dividida em três fatores: Ambiental, Social e de Governança. No fator Ambiental, serão consideradas práticas relacionadas ao uso racional de recursos naturais e à redução de impactos ambientais e de emissões de poluentes.

O fator Social abrangerá temas como saúde e segurança do trabalho, diversidade, inclusão e impactos nas comunidades. Já o fator de Governança considerará, entre outros aspectos, a conformidade do transportador com as regras que disciplinam a atividade.

De acordo com a ANTT, os critérios de avaliação levarão em conta a categoria do transportador no RNTRC, além do porte e do mercado de atuação. As regras de participação, seleção, avaliação e validade do Selo serão detalhadas nos editais de convocação.

Para a avaliação do fator Ambiental, o Selo MelhorAr, concedido pela Infra S.A. no âmbito do Programa MelhorAR, será aceito como comprovação do atendimento integral aos critérios definidos no edital. A ANTT também poderá estabelecer outras formas de comprovação.

A regulamentação prevê editais específicos para Transportadores Autônomos de Cargas (TAC) e equiparados, Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (ETC) e Cooperativas de Transporte Rodoviário de Cargas (CTC). Os modelos dos três editais foram aprovados como anexos da resolução.

De acordo com a agência, o selo terá caráter exclusivamente indutivo. A obtenção não será obrigatória e não poderá, por si só, impedir a participação do transportador em políticas públicas, processos licitatórios ou programas governamentais de fomento.

A criação do Selo passou por participação social por meio da Audiência Pública nº 005/2025, realizada entre 24 de julho e 6 de setembro de 2025 e reaberta entre 4 e 18 de maio de 2026.

A Diretoria Colegiada aprovou os relatórios finais das duas etapas por meio da Deliberação ANTT nº 228, de 14 de agosto de 2026, que também determinou a divulgação do relatório final no Sistema ParticipANTT.